AFRICA MOÇAMBIQUE – O meu compromisso pela justiça em um mundo que se transforma

09.09.2013
Religiosos e leigos missionários, vindos de cinco Dioceses de Moçambique reuniram-se para o encontro anual de justiça e paz da Família Comboniana no Centro Catequético de Anchilo, durante os dias 3 a 5 de Setembro do ano em curso.
Os fenômenos sociais: Tráfico de pessoas e os impactos nocivos pelo ciclo de mineração em Moçambique foram os temas refletido pelos 62 participantes no encontro. A partir da experiência vivida e de forma dinâmica e criativa a Ir. Clara Torres, missionária comboniana, da comunidade de Pretoria na África do Sul e, o Pe. Dário Bossi, missionário comboniano representante do projeto “Justiça nos Trilhos” do Brasil Norte, expuseram os temas. 
Pe, Dario fez um paralelismo entre o modelo de desenvolvimento realizado pela empresa mineradora VALE no Brasil e o programa de desenvolvimento que se esta a realizar em  Moçambique. A chegada violenta e não negociada dos grandes projectos trouxeram consequências lamentáveis para as pessoas, as comunidades, e o meio ambiente no Brasil; se não prestar atenção; análogo resultado pode-se esperar para o futuro de Moçambique. Porém, o desenvolvimento pode ser bem vindo sempre e quando este beneficie as populações locais, daí a importância da informação e da consciencialização das comunidades para que elas exijam ser ouvidas e tomar parte nas decisões para poder defender os seus direitos. Alertou também o Pe. Dário de estar atentos diante dos enganos e falsas promessas das mineradoras. O intercambio e a troca de experiência sobre como as comunidades cristãs do Brasil se têm organizado para contrarrestar os efeitos nocivos causados pela empresa mineradora VALE e para exigir e defender os seus direitos, foram rastros de esperança para os participantes. 
A Ir. Clara Torres de forma natural e bem fundamentada expôs a realidade cruel do tráfico de pessoas no mundo, como esta máfia organizada actua e destrói a vida de milhares de pessoas e famílias. A escravidão do século XXI aumenta devido à falta de conhecimento das populações, de consciência dos predadores, como também à falta de ética e moral de pessoas e instituições que, chamadas a cuidar da segurança dos seres humanos participam destas organizações mafiosas, pelo grande lucro que delas usufruem sem importar-lhes a vida das pessoas inocentes. 
É importante que se procure contrarrestar estes males que afectam à sociedade moçambicana, proporcionando e mantendo o acesso à informação, a denuncia como forma de prevenção, a organização das comunidades; como também a importância do trabalho em rede com outras entidades ou associações nacionais e internacionais. Tudo isto são chaves para poder tentar reduzir os efeitos danosos, prevenir e procurar que as comunidades sejam beneficiadas deste rápido desenvolvimento e tenham vida mais digna e segura.
Para terminar o encontro os participantes divididos por Diocese, elaboraram um plano de acção para trabalhar em rede e pôr na prática o reflectido durante estes dias. 

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