Dê, como se estivesses sonhando

Deus nos permite sonhar porque ele sabe que
pode nos ajudar a realizar os sonhos, mas quando esses não se tornam realidade
, é porque ele tem sonhos maiores para nós. Eu tenho apreciado em minha vida o
dom de sonhos e pude compartilhar muitos deles, mas desta vez quero partilhar
apenas um.Quando eu era criança, chegou às minhas mãos
uma revista missionária em que havia fotos de pessoas de todo o mundo e
histórias sobre a vida daqueles lugares. Guardei a revista por alguns anos,
porque eu gostava de olhar as fotos, sonhando estar um dia naqueles lugares,
partilhando minha vida com aquelas pessoas. O tempo passou e eu me tornei professora de uma
Escola Primária. O sonho da minha infância parecia ter desaparecido, porque eu
havia encontrado trabalho  no meu pequeno
povoado, em uma das escolhas do governo na mina Guatemala. Eu era a única
professora naquela escola, ensinando os seis graus do ensino fundamento (a
propósito, foi outro dos meus sonhos). Gostei realmente daquele trabalho porque
fazia o que gostava, mas algo me chamava para ir mais longe. Tentei descobrir o
que era, pude sentir que Deus estava me chamando para uma vida missionária. No
início lutei com Deus, porque eu estava feliz, ensinando e partilhando minha
vida com as crianças e as famílias do meu vilarejo. O que mais eu poderia
fazer?Eu tinha esquecido que Deus é o amante que sempre exige mais. Finalmente, me rendi e comecei o processo de
ingresso na congregação das Irmãs Missionárias Combonianas. O tempo chegou para
eu ir ao México iniciar minha formação. Foi um momento muito difícil, pois
devia deixar minha família e o trabalho. Nada na vida é fácil.

Minha primeira
formação eu a fiz no México, em seguida fui aos Estados Unidos para aprender a
língua inglesa, a fim de ir para a missão na África. Enquanto eu aprendia
inglês, sonhava com o Sudão do Sul. Eu realmente queria ir para lá, por isso,
lia sua história, culturas, geografia, e outros, mas no final fui enviada para
o Quênia.Cheguei no Quênia em 2009. Após aprender um
pouco de Swahili, fui destinada à missão de Amakurit no oeste Pokot, para dar
aula na Escola Primária. Agora o sonho da menina de 7 anos tinha se tornado
realidade; partilhando minha vida com as meninas Pokot  pude ensinar e aprender com elas e outros
professores.

Como mencionei antes, nada é fácil; deixar seu sonho não significa
que tudo é bonito, mas afinal o que importa é amar e permitir que os outros te
amem. O início de minha experiência em Amakurit custou-me lágrimas e desejei deixar
tudo, mas após alguns meses comecei a gostar e a aprender a estar  lá.As boas coisas duram pouco, porque nossa vida está
em constante movimento, e nós precisamos continuar crescendo, e é por isso que
atuei lá apenas três anos e meio. O momento de deixar Amakurit foi muito
difícil, mas o que encheu meu coração foi a felicidade de ter amado as pessoas.
Elas deixaram muitas lembranças no meu coração, que gosto de recordar, eu sei
que deixei nelas também algo de bom.Sonhar é estar vivo, portanto, não pare de
sonhar

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