O Deus da Vida e da Reconciliação

O Deus
da Vida e da Reconciliação nos criou livres. A nossa humanidade nos leva a
libertar tudo que quebra a harmonia da criação e vai contra toda forma de desonra
humana.  O
tráfico de pessoas, flagelo do século XXI, está destruindo milhares de vidas, especialmente
os mais vulneráveis em nossos tempos. No Peru, oíndicedevítimasaumentou drasticamente: existem mais decem milvítimas destemercadode pessoas, ligadoà mineraçãoilegal. O Peru
se torna assim opaís de origem,
trânsito e destino para as vítimas.
Todos
os dias somoscada vez maisinvadidos
porofertas enganosas de trabalho,propostas deviagens ao exteriorcomoum sonho tornado realidade. Sem falarmosdaexploração
do trabalho de crianças e jovens que  vivem em nossacapital. A Rede
Kawsay é uma rede internacional da Vida Consagrada, comprometida
com a construção de uma sociedadesemtráfico de seres humanosepromoção da dignidade por meio de açõesconcretas.
A Justiça e solidariedade.Seu principalobjetivo éorganizar ajudase iniciativasda vida consagradapara sensibilizartodos contrao tráfico de pessoasem diferentesáreas da sociedade, com a finalidadede impedirque tantaspessoas
sejam envolvidas,e também para darapoio às vítimas. Eu tive a
oportunidade de pertencer à Rede Kawsay. A experiência que vivi me deu muita
satisfação, e ao mesmo tempo me desafiou. 
Satisfações que resultam em um
trabalho em que cada um dá o melhor de si, colaborando com todos. É uma grande
oportunidade para exercitar-nos na flexibilidade, compartilhar opiniões, expressar
livremente o que se pensa e, em seguida, decidir o que cada um propõe, e assumi-lo
como compromisso de vida.  A participação da Rede Kawsay possibilitou-me conhecer melhor o trabalho
que outras congregações  desenvolvem,
como a nossa, contra o tráfico de pessoas. Gostei de ver como podíamos unir
nossos esforços e organizar ações concretas, que coincidissem com nossas
atividades. Constarei também com clareza, que São Daniel Comboni é muito mais
do que uma oportunidade rara. Ele nos disse que 
“a obra não é italiana, espanhola ou francesa… deve ser uma obra
católica”. 
Esta é a Rede Kawsay, resposta à nossa vida consagrada contra toda
forma de escravidão, começando com o tráfico de pessoas.  Outra
grande lição que encontrei na Rede Kawsay foi o trabalho de grupo que se faz
quando há encontros de sensibilização e de prevenção. Lembro-me de uma ocasião em
que fomos a um colégio de 500 alunos e a Irmã a quem eu ajudava tinha muita
experiência no campo da educação. Isso me ajudou a dialogar com os jovens,
facilitando a transmissão do tema. Em outra ocasião, organizamos um
seminário,  para uma das dioceses de
Lima, por uma semana, durante a qual enfrentamos o tema sob diferentes pontos
de vista. E mais uma vez o trabalho em rede deu seus frutos. Muitos
participantes desta rede partilharam o trabalho: demos o tema juntos e os
participantes foram mais sensibilizados com novas perspectivas de prevenção e
de compromisso.    
São
muitas as experiências que carrego comigo, como pedras preciosas que me
acompanham na minha nova missão em Quênia. Neste momento, em Nairobi, estou
retomando o estudo da língua para depois começar um trabalho em rede. O desafio
é grande: uma nova realidade com língua diferente e um contexto diverso da
América Latina. Porém, é o mesmo ideal: partilhar o que conheci e trago no
coração, aprender e tocar com mão o coração deste povo. O trabalho em rede não
é simples, mas sabendo que é a obra é de Deus e não nossa, é possível torná-la
realidade.
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