O Brasil, há décadas, vem enfrentando crise política, econômica, social e cultural, as quais têm se agravado pela pandemia do coronavírus, quanto pela visão conservadora e retrógada dos atuais governantes, seja no plano federal, seja em diversos estados e municípios.
Falar e escrever sobre a situação dos povos indígenas do Brasil, neste contexto de pandemia Covid-19, é confirmar que vivemos um momento muito sério, pois o governo brasileiro implementou uma política indigenista extremamente ofensiva aos povos indígenas; levando à morte muitos dos idosos, os sábios, os livros históricos que essas culturas e línguas nunca mais irão recuperar.
A equipe de missionários do regional Conselho Indigenista Missionário (CIMI) – RO, mais especificamente na Arquidiocese de Porto Velho, desde o mês de maio de 2020, dentre suas atividades missionárias nas aldeias, atendeu também mais de 150 famílias indígenas nas áreas urbanas com cestas básicas e kits de higiene, por terem perdido seus empregos.
Nessa dimensão de cuidado com a vida, foram seguidas as recomendações de distanciamento social, uso de máscara e álcool gel. As lideranças e os meios de comunicação, via celular, foram valiosos para manter as comunidades informadas no exercício de aprender e reaprender.
Algumas famílias de diferentes povos: Cassupá, Paumari, Mura, Mucuá, Puruborá estavam se desafiando na construção de espaço de produção agroecológico. Alguns membros tinham participado de formação e dia de campo agroecológico para conhecer a produção sem o uso de agrotóxicos e insumos químicos.
Algumas famílias de diferentes povos: Cassupá, Paumari, Mura, Mucuá, Puruborá estavam se desafiando na construção de espaço de produção agroecológico. Alguns membros tinham participado de formação e dia de campo agroecológico para conhecer a produção sem o uso de agrotóxicos e insumos químicos.
Houve conversas com outras famílias, para que pudessem plantar algumas hortaliças e chás medicinais. Após as conversas iniciais com essas famílias, foram adquiridos diversos equipamentos e insumo para iniciar o trabalho de preparo dos canteiros, produção de mudas, etc., mas a pandemia impediu a continuação dessa iniciativa.
O CIMI, nesse contexto, no início do ano de 2020, teve uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF), para falar sobre assuntos relevantes, tais como: a vacinação dos povos indígenas que vivem em área urbana, e demanda da terra indígena, onde continuamente as lideranças vem apresentando denúncias das invasões do seu território, por grupos criminosos que atuam na região.
A respeito da vacinação, de fato, os povos indígenas que estão no grupo prioritário, na primeira etapa de vacinação, não foram atendidos. De acordo com o entendimento de cada chefe de Estado e Instituição da saúde indígena, somente terão direito de receber a vacina os povos aldeados que estão nas aldeias, deixando assim sem atendimento os indígenas que vivem nas cidades, chamados pelos servidores dos órgãos, de “desaldeados”, mais uma vez negando um direito conquistado e garantido.
O enfrentamento dos perigos já existentes, pela negação dos direitos, com o surgimento do coronavírus que causou a morte de muitos indígenas, a negação ao direito à saúde e proteção territorial, assim com todas essas dificuldades, o congresso e a bancada ruralista querem, a todo custo, aprovar seus projetos de lei que ferem os direitos dos povos tradicionais.
É momento de seguir os passos do Mestre Jesus que se inculturou no mundo do seu povo, e viveu a dimensão da interculturalidade com todos os desafios e perseguição. Faz-se necessária uma postura de diálogo inter-religioso e intercultural, e livrar-se de atitude colonialista. Em cada cultura é fundamental experienciar o novo que está presente por meio de uma aproximação respeitosa.
Equipe do CIMI/ RO –Arquidiocese de Porto Velho


