Em Wau temos um hospital onde servimos semanalmente 5000 pessoas, sobretudo crianças e mães grávidas. Uma população muito jovem e forte mas que necessita seguimento no campo da saúde de modo que possam viver, ainda que com tantas dificuldades, de modo sano e equilibrado.
Como se pode imaginar o campo sanitário no Sudão do Sul é ainda muito pouco desenvolvido. Sobretudo se comparamos com outras realidades mundiais. A presença de médicos qualificados é muito escassa e, uma consulta de especialidade é muito raramente encontrada. Com relação aos enfermeiros e outro pessoal sanitário já se pode evidenciar um maior número ainda que continuam a ser escassos para a realidade do país.
Como missionárias combonianas inseridas na realidade compreendemos que prestamos um serviço de evangelização, e anunciamos o Evangelho também através do nosso ministério no campo da Sáude. Como nos diz Comboni na sua experiência como médico que considera a caridade para com os doentes como um potente instrumento de evangelização. O nosso principal objectivo é estimular a formação de nosso pessoal de saúde, reforçar os conhecimentos técnicos tendo como grande esperança que, ao mesmo tempo, possamos injectar uma grande dose duradoura e eficaz de humanidade e evangelho aos trabalhadores com quem convivemos diariamente.
Sou parte de uma comunidade missionária num páis que pouco a pouco tenta caminhar em direcção a uma paz mais duradoura que permita a restruturação de uma sociedade humana tão martirizada pela guerra.
Considerando a minha experiência pessoal, a minha missão como médica é vivida numa experiência diária de expectativa, surpresa e grande abertura porque tantas vezes é dificil saber o que vai acontencer ou as pessoas e situações que poderei encontrar. Jesus tem-me convidado, nestes três anos que já estou nesta realidade, a abrir-me à sua capacidade criativa de encontrar e ser resposta aos desafios que vão surgindo. Simultaneamente faz-me descobrir dons, capacidades e também fragilidades e limitações com as quais, creativamente, me faz ser resposta de amor, do Seu Amor, para o povo Sul Sudanes.
Assim vista, a missão como experiência de creatividade do amor de Deus que sempre encontra uma janela, uma porta ou mesmo que seja só uma pequena fresta onde o Seu Espirito possa entrar e fazer morada e ser Ressurreição nos ambientes fechados e de morte que, tantas vezes e humanamente nos bloqueiam.
Possamos ser missão creativa sem medo de arriscar reconhecendo que Deus foi e é aquele que creativamente entra na nossa Vida por meios inimagináveis. Se temos experiência de um Deus assim…como não partilhar-la?
Ir. Joana Sofia Carneiro, mc
Missionária en Wau, Sudão do Sul

